Pós-graduação: vale o investimento?


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Em geral, ao terminar a Universidade, o sentimento é ao mesmo tempo de alegria e preocupação. Após diversos anos de muita luta e estudo, finalmente chega o dia da formatura, mas a impressão que a pessoa tem é que não está pronta para ir para o mercado de trabalho. De certa forma esse sentimento tem justificativa. Em qualquer profissão são muitas as possibilidades de atuação, e na Universidade o aluno aprende um pouco de tudo e ganha o conhecimento básico para depois se aprofundar em uma dessas possíveis áreas de atuação. O problema é que nem sempre as empresas querem investir na formação de seus funcionários e prefere contratar um profissional mais completo e com experiência no lugar de um recém-formado. Para piorar, o mercado está cada vez mais saturado com pessoas qualificadas desempregadas por causa da crise. Aí começa o sofrimento do jovem profissional recém-formado e a peregrinação atrás de um bom emprego. Nesses casos, uma saída é investir na própria carreira e fazer uma pós-graduação.

Diversas pesquisas mostram que profissionais que fizeram uma especialização, ou mestrado e doutorado, ganham mais do que aqueles que possuem somente graduação (em alguns casos os salários chegam a dobrar). Além de ganharem mais, as pesquisas mostram também que as chances de conseguir um emprego são bem maiores quando se tem uma pós-graduação. Assim, uma boa dica é investir em si mesmo. Contudo, todo investimento tem um custo e isso não é diferente neste caso.

Existem muitas Instituições de Ensino Superior (IES) que oferecem bons cursos de pós-graduação, que podem ser pagos ou gratuitos. Para entender como isso funciona é importante conhecer as diferenças entre eles. Existem basicamente três tipos de pós-graduação: i) cursos de especialização; ii) mestrado acadêmico e doutorado; iii) mestrado profissional. A seguir são apresentadas as principais diferenças entre esses cursos de pós.

Especialização

A especialização é um curso de pós-graduação lato sensu, que em latim significa “sentido amplo”. O objetivo de um curso de especialização é aprofundar os seus conhecimentos para alguma aplicação no mercado de trabalho. Esses cursos são, em geral, pagos e os valores podem variar muito dependendo da instituição e da profissão. O tempo de retorno do investimento normalmente é de poucos anos, o que mostra que vale a pena investir.

Para que uma Instituição de Ensino Superior possa oferecer um curso de pós-graduação lato sensu, ela deve ser credenciada no MEC (veja aqui quais IES são credenciadas de acordo com o curso que você pretende fazer). Na hora de escolher uma IES para fazer um curso de especialização é importante verificar se a instituição é reconhecida no mercado, pois um diploma de pós-graduação em uma IES reconhecida vai valorizar o seu currículo e aumentar suas chances de conseguir um bom emprego.

O tempo de duração de um curso de especialização é em torno de dois anos (carga horária mínima de 360 horas), e é necessário apresentar uma monografia de fim de curso. A exigência mínima para ingressar em um curso de pós-graduação lato sensu é ter um diploma de graduação em uma área afim ao curso desejado.

Os famosos MBA (Master in Business Administration) e Master (termo utilizado para os cursos que não são de administração) são cursos de pós-graduação lato sensu.

Mestrado acadêmico e Doutorado

Os cursos de mestrado acadêmico e doutorado são cursos stricto sensu, que em latim significa “sentido restrito”, e o objetivo desses cursos é diferente do objetivo dos cursos de pós-graduação lato sensu. Enquanto que nos cursos de especialização o foco é o mercado de trabalho, no mestrado acadêmico e no doutorado o objetivo é desenvolver pesquisa científica e tecnológica.

Os cursos de mestrado e doutorado são gratuitos e oferecem bolsas de estudo para alunos de tempo integral e com dedicação exclusiva, ou seja, alunos que não possuem vínculo trabalhista com empresas e se dediquem somente aos estudos. Em 2010, as duas agências de fomento federais que pagam bolsas de estudo, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) emitiram uma portaria conjunta permitindo a complementação financeira de bolsa, desde que a atividade desenvolvida pelo aluno esteja relacionada à sua área de atuação e seja de interesse para sua formação acadêmica, científica e tecnológica. Além disso, a atividade deve ser aprovada pela IES na qual o aluno faz a pós. O valor atual da bolsa de mestrado é de R$ 1.500,00 e o valor da bolsa de doutorado é de R$ 2.200,00.

Existem também fundações de amparo a pesquisa estaduais (FAPs) que oferecem bolsas de estudo e fomentam projetos de pesquisa científica e tecnológica.

A CAPES trienalmente faz uma avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu e atribui uma nota que vai de 1 a 7 caso o programa possua o nível de doutorado e de 1 a 5 caso o programa tenha somente mestrado. Os programas com nota inferior a 3 são descredenciados, enquanto que os programas com nota superior ou igual a 3 são recomendados pela CAPES. Os programas com notas 6 e 7 são considerados com alto padrão internacional.  No link http://www.capes.gov.br/cursos-recomendados é possível ver a nota dos programas de pós-graduação reconhecidos pela CAPES.

Mestrado Profissional

O mestrado profissional é uma pós-graduação stricto sensu, que assim como a pós-graduação lato sensu, é voltada para o mercado de trabalho. O objetivo é, como o próprio site da CAPES informa, “a capacitação de profissionais, nas diversas áreas do conhecimento, mediante o estudo de técnicas, processos, ou temáticas que atendam a alguma demanda do mercado de trabalho”.

O mestrado profissional é gratuito e diversas IES oferecem cursos. Como é regulado pela CAPES, também recebem nota que pode variar de 1 a 5. No link http://www.capes.gov.br/cursos-recomendados também é possível ver a nota dos cursos de mestrado profissional reconhecidos pela CAPES.

De acordo com a Portaria normativa número 7 de 22 de junho de 2009, diferentemente do mestrado acadêmico, o trabalho de final de curso do mestrado profissional pode ser apresentado em diversos formatos tais como “dissertação, revisão sistemática e aprofundada da literatura, artigo, patente, registros de propriedade intelectual, projetos técnicos, publicações tecnológicas; desenvolvimento de aplicativos, de materiais didáticos e instrucionais e de produtos, processos e técnicas; produção de programas de mídia, editoria, composições, concertos, relatórios finais de pesquisa, softwares, estudos de caso, relatório técnico com regras de sigilo, manual de operação técnica, protocolo experimental ou de aplicação em serviços, proposta de intervenção em procedimentos clínicos ou de serviço pertinente, projeto de aplicação ou adequação tecnológica, protótipos para desenvolvimento ou produção de instrumentos, equipamentos e kits, projetos de inovação tecnológica, produção artística; sem prejuízo de outros formatos, de acordo com a natureza da área e a finalidade do curso, desde que previamente propostos e aprovados pela CAPES”.

O mestrado profissional não prevê bolsa de estudos. Contudo, professores da Rede Pública da Educação Básica, regularmente matriculados em cursos de Mestrado Profissional ofertados pelas IES, devidamente aprovados pela CAPES, podem receber uma bolsa, denominada Bolsa de Formação Continuada, e acumular essa bolsa com o seu salário.

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